Terapias com animais

Estudos recentes têm mostrado que o uso de animais tais como, cães, gatos, pássaros, cavalos, burros, golfinhos, etc., representa um contributo importante para o bem-estar social e psicológico das pessoas.

As relações humanas, neste mundo apressado em que vivemos, negligenciam muitas vezes o toque, o contacto físico, o olhar nos olhos, etc. No entanto, estes comportamentos são de extrema importância para garantir o nosso bem-estar emocional. O toque, por exemplo, dizem os estudiosos destas questões, aumenta a nossa autoestima, e desenvolve no ser humano, sentimentos de proximidade, segurança e confiança pelo seu congénere e o meio envolvente.

A utilização de animais como parte de um programa terapêutico foi primeiro registado no século IX, em Gheel, na Bélgica, onde pessoas com necessidades especiais foram pela primeira vez autorizadas a cuidar de animais domésticos. Nos anos 60, graças ao psicólogo infantil americano, Boris Levinson, assiste-se ao ressurgimento da terapia baseada em animais.

A introdução do burro nos processos terapêuticos (Asinoterapia/Asinomediação) desenvolveu-se na década de 70 em países como a Suiça, Inglaterra, França, Itália, Estados Unidos, entre outros. Esta técnica terapêutica permite a estimulação a nível cognitivo, físico, motor e afectivo.

Aprender a comunicar com os asininos funciona como uma terapia alternativa. Ao procurarmos compreender o burro, a sua forma de pensar e de agir, ao mesmo tempo que tentamos fazer com que ele nos entenda, estamos a realizar o exercício de nos colocarmos no seu lugar. Por outras palavras, estamos a exercitar uma nova forma de linguagem e de comunicação. No momento em que nos aproximamos do burro é necessário fazê-lo com humildade, respeitando os tempos do animal. Devemos fazê-lo gradualmente, sem movimentos bruscos, falando suavemente e sempre pela frente, para que o animal nos veja. Este exercício de nos colocarmos no lugar do outro, isto é, de sermos empáticos, é extremamente construtivo e saudável a nível emocional para o ser humano.

O retorno positivo a um comportamento altruístico, que pode ser por exemplo, dar atenção a um burro, ensina-nos, num ambiente relaxado, a tornarmo-nos seres humanos mais justos, tolerantes e sensíveis ao mundo que nos rodeia, onde logicamente estão incluídos outros seres humanos. De forma simples ajuda-nos a respeitar o que é diferente de nós, mas que de alguma forma precisa de nós, e ao mesmo tempo, nos complementa. O facto de o burro se mostrar satisfeito com o nosso carinho e atenção, reconhecendo-nos, procurando-nos, mantendo-se perto de nós, etc., serve-nos de recompensa e faz com que queiramos repetir a experiência de estarmos perto dele, de o afagarmos, de lhe falar, enfim de convivermos de perto com ele. 

As actividades lúdico-terapêuticas assistidas por burros, para pessoas com necessidades especiais ou idosas merecem destaque pela sua importância terapêutica, ética, e social. Para além destes aspectos, actualmente, as actividades lúdico-terapêuticas possuem um potencial ecoturístico, permitindo proporcionar à população com necessidades especiais momentos reconfortantes de prazer e de lazer.