Existem três questões fundamentais a ter em conta numa sessão de Asinomediação. São elas:


- As sessões de Asinomediação devem constituir um ciclo. O ciclo de uma sessão tipo poderá ser:

1) vinda
2) recepção/acolhimento do(s) utente(s);
3) explicação/visualização dos acontecimentos;
4) encontro livre com os burros;
5) aprendizagem de algumas tarefas/procedimentos;
6) passeio/percurso;
7) tempo de relaxamento;
8) fecho do ciclo.

- As possibilidades de jogo e interação são potencializadas pela relação entre o asinomediador e o burro co-terapeuta.

- A personalidade individual e os tempos tanto do(s) utente(s) como do burro, animal co-terapeuta, devem ser inteiramente respeitados.


Interpretação dos componentes de um ciclo tipo

1) A primeira ação é a vinda.

2) O ponto de chegada, receção e boas vindas marca uma ruptura com o exterior, com o quotidiano. A receção e o acolhimento são o primeiro espaço de encontro entre o tratador e/ou asinomediador e os utentes, num espaço neutro. A neutralidade do espaço de acolhimento é uma questão importante, pois é durante a recepção/acolhimento que se criam as primeiras sensações, impressões, fazem-se as primeiras avaliações. Desta forma é importante evitar que os utentes possam sentir que estão a invadir um espaço; os técnicos asinomediadores podem optar por diferentes formas de acolhimento dos sujeitos aos seus campos. Podem escolher diferentes fases de interacção.

3) Após o acolhimento, o grupo move-se para um local mais íntimo a fim de ficar com uma percepção e tomar contacto com os diferentes aspectos da sessão/visita. É importante que os sujeitos possam visualizar todas as possibilidades de acção disponíveis, por exemplo, o espaço onde os animais ficam abrigados, as suas camas, o(s) comedouro(s) e o(s) bebedouro(s); o espaço onde está armazenado o material de uso diário dos animais, o material lúdico, etc. Os objectos devem ser mostrados e manuseados.

4) O campo é o espaço de encontro livre com os burros, permite o contacto livre e espontâneo: confrontar-se, tocar, recorrer a todos os sentidos para conhecer/reconhecer o meio envolvente. O asinoterapeuta deve manter-se presente durante estes momentos.

5) “A casa dos burros”, é um espaço de aprendizagens acerca da manutenção dos animais, a sua alimentação, cuidados com a pele e o pêlo, com os cascos, etc. Neste espaço é possível aprender os procedimentos de escovagem do animal, aparelhar o animal, colocar-lhe a sela e o tapete de equitação, os procedimentos para a limpeza dos cascos, etc.

6) O passeio/percurso funciona como o espaço exterior que ajuda na projecção; é o espaço de maior amplitude de movimentos, aventura; troca e partilha de sensações, ou seja, é o momento de descoberta de novos caminhos.

7) Proporcionar a técnica de “Portage”: neste momento estamos em harmonia com o animal; esta técnica oferece momentos de distensão e relaxamentos profundos.

8) O espaço do ponto de partida serve para definir o fim da actividade, os burros regressam ao grupo, à “burrada”, e os participantes retornam às suas vivências do dia-a-dia. É o concretizar de um ciclo.