A Asinoterapia ou Terapia Assistida por Asininos
é uma prática equestre que utiliza o burro como instrumento terapêutico. Esta prática equestre recorre a um conjunto de técnicas de educação e de reeducação do indivíduo, com o objectivo de fazer com este ultrapasse, na medida do possível, danos sensoriais, motores, cognitivos, afectivos e/ou comportamentais.

A Asinoterapia possui 3 componentes chave
. São eles: o terapeuta, o utente/paciente e o burro, como animal co-terapêuta.

A Terapia Assistida por Asininos engloba a técnica de Equitação Terapêutica, bem como a técnica de “Portage”, ambas abordadas em pormenor mais à frente neste texto.

O burro é actualmente um animal muito utilizado como co-terapêuta, graças às qualidades que possui, tais como: temperamento dócil, animal paciente, atento, curioso, inteligente, dotado de uma excelente memória, fisicamente robusto, estável a nível físico e emocional, movimentos lentos e seguros, nomeando apenas algumas qualidades do animal.

a) Objectivo da técnica de Asinoterapia

Proporcionar às pessoas com necessidades especiais um espaço de enriquecimento sensorial, de ocupação terapêutica e pedagógica do tempo livre.

b) Procedimentos em Asinoterapia

Existem questões importantes a ter em conta no processo de Asinoterapia. Assim:

• É fundamental conhecer os problemas específicos de cada criança com que se trabalha. Igualmente, é essencial conhecer profundamente o animal facilitador da relação reabilitadora, o burro, em todos os seus aspectos físicos e comportamentais. A confiança depositada no animal com que se trabalha deve ser total. É de salientar que entre os animais, tal como entre os humanos, não existem dois seres iguais, com o mesmo modo de se comportar, com a mesma percepção do meio envolvente, com a mesma forma de reagir aos estímulos externos, com capacidades iguais e as mesmas necessidades de atenção física e emocional, pelo que é importante que se aprenda a conhecer e a interagir com cada animal individualmente.

• Os exercícios práticos e dinâmicos devem favorecer: 1) A linguagem e a organização do processo de comunicação; 2) o melhoramento e aumento da comunicação verbal e especialmente não verbal; 3) o enriquecimento do vocabulário; 4) a construção correcta de frases; 5) o treino na articulação das palavras.

• A aquisição e/ou aprofundamento dos níveis de concentração e uma correcta canalização da atenção nas pessoas com necessidades especiais, faz-se em grande medida através da aposta em novas valências. Isto é, através do ensino e aquisição de novas aprendizagens, que no caso da Asinoterapia podem ser:

1) aprender os cuidados a ter com o animal;
2) aprender a reconhecer o animal pelas suas características externas, e.g., pêlo comprido/curto, castanho/preto, orelhas compridas, etc;
3) aprender a observar o comportamento do animal e a identificar algumas das suas emoções e estado físico, e.g., contente, triste, zangado, cansado, doente, etc.;
4) colaborar nas tarefas de maneio e higiene do burro;
5) reconhecer e aprender a utilizar os utensílios e acessórios que se utilizam no dia-a-dia com o burro, e.g., a cabeçada, a rédea, a escova, etc.

• É fundamental que o utente da técnica de Asinoterapia tenha a percepção da sua própria posição no espaço. Isto consegue-se através da realização de exercícios e jogos adaptados para o efeito, e.g., Equitação Terapêutica, Jogo da Psicomotricidade.

• Existe a necessidade de incutir a noção de responsabilidade, bem como, motivar a interacção social. Há que ter atenção especial em dois pontos fundamentais:
1) aumento da capacidade e do desejo de relacionamento e de interacção nas actividades de grupo;
2) estimular a criação de relações de amizade e o aumento das vivências afectivas.

• Como já se disse anteriormente, a Asinoterapia deve ser acompanhada por um terapeuta e/ou um psicólogo, que ajudará a integrar e a extrapolar para o quotidiano os momentos vividos pelo utente/paciente. Na relação triangular que se estabelece entre o terapeuta, o utente/paciente e o burro, procura-se desenvolver a expressividade relativa aos processos emotivos, cognitivos, relacionais e corporais que caracterizam a evolução global do indivíduo.